Governador de 64 a 67/Lutava contra um câncer e estava internado há dois dias
Faleceu na capital do estado, na sexta feira (14), o ex-governador do estado de Sergipe, Sebastião Celso de carvalho. Era sergipano da cidade de Simão Dias, nasceu no dia 24 de janeiro de 1923. Filho de João Matos Carvalho e Rosa Andrade carvalho; por parte materna tinha descendência do Barão de Santa Rosa, título este dado pela Santa Sé a Sebastião de Andrade, benemérito construtor da Matriz de Simão Dias, já pelo lado paterno descendia do político Joviniano de Carvalho, que durante a república foi 5 vezes deputado federal, no período de 1901 a 1914.
Seus estudos iniciais foram feitos no Grupo Escolar Fausto Cardoso, à época há pouco tempo havia sido construído por Graccho Cardoso, saiu daquele colégio para estudar com a professora Antônia Borges da Silva, na fazenda Balcão.
Aos 10 anos de idade foi para Aracaju estudar no Colégio Tobias Barreto, que era do professor José de Alencar Cardoso (Zezinho Cardoso). Havia no colégio a hierarquia militar, onde nestes critérios ele chegou a capitão, assumindo o posto de comandante da segunda unidade e porta bandeira.
Lá no Colégio Tobias Barreto permaneceu como aluno até 1940, quando partiu para Salvador indo estudar no Colégio Marista (1940-41) e fazer os preparatórios para a Faculdade de Direito da Bahia. Lá ingressou no curso jurídico em 1942, bacharelando-se em 1946 aos 23 anos. Formado, regressou a Simão Dias, passando a advogar e a preparar sua carreira política. Com a redemocratização de 1945 filiou-se ao Partido Social Democrático- PSD, ao lado de Gervásio Prata e de José Dória de Almeida, o Dorinha, e candidatou-se em 1947ª prefeito de Simão Dias, elegendo-se sem concorrentes.
Em 1950 apoiou Carvalho Deda para a Assembléia, aceitando por alguns meses ser pretor em Campo do Brito. Com a reforma judiciária voltou a advogar em Simão Dias, para em 1954, candidatar-se a deputado estadual, elegendo-se folgadamente. Em 1958 conseguiu repetir o feito, sendo reeleito para a Assembléia Legislativa do Estado. No exercício do último mandato, foi escolhido pelo PSD, com o apoio do PR, para compor ao lado do deputado federal Seixas Dória a chapa para o governo do estado, como candidato a vice-governador.
No governo substitui, muitas vezes, o governador titular e estava no exercício do Governo quando teve início o movimento militar de 1964. No seu discurso ’O Destino acontece’, pronunciado na Câmara Municipal de Aracaju, em 3 de setembro de 1968 (Aracaju: Livraria Regina, s/d), Celso de Carvalho lembra que participava da posse de Serapião de Aguiar Torres como desembargador, no dia 31 de março, quando percebeu a movimentação do comandante do 28º BC, cel. Silveira, recebendo emissários que, veio depois a saber, eram da VI Região Militar e traziam ordens para que as tropas federais entrassem em absoluta prontidão.
No mesmo dia, na recepção da casa do novo desembargador, Celso de carvalho inteirou-se dos acontecimentos do país, do movimento militar e passou a colaborar com o comando do 28º BC, aguardando a volta a Aracaju do governador Seixas dória, que estava fora do estado.
Foram horas de tensão e incerteza. Os fatos levaram Celso de Carvalho de volta ao Palácio, reunido com o secretariado e com alguns amigos mais próximos, e a interferir em episódios como o da ordem de prisão contra o deputado federal Euvaldo Diniz, da UDN, que conseguiu relaxar, o recebimento do manifesto do governador Miguel Arraes, de Pernambuco, que não assinou, e, ainda, a presença no Palácio de trabalhadores que declaravam apoio ao governo constitucional do presidente João Goulart, exigindo que ele e o comandante do 28º BC fizessem o mesmo. Depois de um dia cheio de contatos, movimentado por conta das reações ao golpe militar, Celso de carvalho manda receber o governador Seixas Dória no aeroporto, passa o governo no Palácio Olímpio Campos, faz amplo relato dos fatos, na presença do Secretário da Fazenda Teotonilo Mesquita, cunhado do governador e vai para casa dormir. Madrugada é acordado e levado de casa para o palácio, onde para uma platéia de militares e na presença de poucos amigos, assumiu o governo, enquanto o titular estava preso no quartel do 28º BC e enfrentaria logo depois um processo de impedimento.
No dia 4 de abril de 1964 Celso de Carvalho assume o governo do Estado de Sergipe, para cumprir o mandato de Seixas Dória, permanecendo no poder até janeiro de 1967, quando foi sucedido por Lourival Batista, que foi indicado pelos militares. Enfrentou a ira dos udenistas que queriam substituí-lo, mas soube atravessar, com cautela, o período revolucionário instalado no país. Fora do governo, Celso de Carvalho ingressou na arena, elegendo-se deputado federal para as legislaturas de 1975-1979, 1979-1983, e 1983-1987.
Celso de Carvalho era casado com D. Bertilde carvalho, desde 1952, deixa quatro filhos: Celso Barreto, João Eduardo, Luciano Augusto e Sonia Maria. Faleceu aos 86 anos, estando fora da política desde 1987, dividia seu tempo entre seu apartamento no edifício Atalaia, o escritório no edifício Paulo Figueiredo e a Fazenda Mercador, no município de Simão Dias.
Fonte: Riquíssimo material, produzido por Luis Antônio Barreto, Jornalista, historiador e diretor do Instituto Tobias Barreto e ex-secretário de Estado da Cultura. Material este que se encontra no Portal Infonet, para o qual ele escreve todos os sábados.
Por Carlos Rocha/SE
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