quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Escreveu Luiz Eduardo Costa : a árvore da energipe ou energisa
Ano passado, foi a tragédia. Desabou a árvore de Natal da ENERGIPE e morreram trabalhadores despencando lá do alto. Eram operários em construção. No seu ofício arriscado de andar garimpando alturas, encontraram a morte. Fica-se a imaginar as imagens derradeiras que fixaram os olhares daqueles homens jovens, nos terrificantes segundos da queda vertiginosa, misturando-se em giros estonteantes os prédios próximos da orla ao estuário do rio, às ondas alvacentas do oceano quebrando mais ao longe, ao manguezal e à terra, a terra cinzenta crescendo, até o choque final, e aquela vermelhidão de sangue embaçando a paisagem que sumiu para sempre. Deve ter sido assim o ultimo instante. Dias depois, toda a cidade coloria-se para comemorar o Natal, daquela vez sem a árvore que se transformara no nosso maior símbolo das festas de fim de ano. É sempre assim. O mundo não para, a vida vai. Tragédias e festas se sucedem. Dever-se-ia interromper o Natal ? Sem dúvidas que não. O desastre comoveu as pessoas, depois, o choro e as lágrimas ficaram restritas às casas daqueles trabalhadores, casas onde vivem suas esposas, seus filhos, seus pais, seus irmãos. Para eles, foi um Natal amargo, os seus Natais nuca mais perderão aquele travo de dor e saudade. Mas , passado o trauma, a ENERGISA já anuncia que voltará a erguer a árvore. É bom que isso aconteça. Os desastres sempre acompanharão a vida, e apesar deles, continua-se a viver. Certamente, a grande árvore luminosa do Natal aracajuano que já era considerada a maior do Brasil, não precisará mais ser posta a subir todos os anos, naquela ânsia de superar recordes. Bater recordes, em alguns casos, pode até ser demonstração óbvia de mau gosto. Basta-nos, para alegrar o Natal, que a árvore seja singela, que componha adequadamente a paisagem, misturando-se às luzes da cidade, provocando reflexos sobre as águas do rio, no alvor das praias, do outro lado, esbatendo-se sobre a esguia fímbria dos coqueirais, deixando antever entre a penumbra, aquele verde cada vez mais restrito que se desenha às margens da Barra dos Coqueiros. Alguma dose de senso estético e criatividade deve estar contida na árvore, que nem precisará desse desafio às alturas. E o mais importante: ao contemplá-la, o aracajuano deverá ter a certeza plena de que não foram esquecidos os mortos, que não estão abandonadas as suas famílias. Assim, a árvore de Natal não deixará de ser bem-vinda.
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