sábado, 29 de maio de 2010

Diretora do presídio de Caruaru profere palestra em Paulo Afonso e fala como controla mais de mil presos

Convidada para falar da metodologia de trabalho na direção do presídio de Caruaru PE), que há mais de sete anos não registra rebelião nem conflitos, a Dra. Cirlene Rocha - graduada em Direito e fazendo especialização em Gestão Pública – proferiu palestra na noite de ontem (sexta, 28) no auditório do Memorial da CHESF, em Paulo Afonso (BA), para um público formado por acadêmicos de direito, comerciantes, diretores de escolas e profissionais liberais, numa realização de uma Loja Maçônica da cidade. Na explanação, a diretora Cirlene Rocha – que foi destaque numa matéria do Fantástico da Rede Globo em janeiro último – disse entrar nas celas e em todas as dependências do presídio sem o acompanhamento de seguranças, sem usar arma e todos lhe obedecem. Ela é ex-agente penitenciária e, quando convidada para dirigir a casa de detenção que tem capacidade para 98 presos e hoje conta com 1.050 detentos, pensou em ficar pouco tempo a frente da Casa, mas, ao implantar uma relação de amizade e companheirismo entre os presos, observou que obteve um ótimo resultado e há sete anos mantém um clima harmonioso no presídio. "Eu não quero problema, têm que ser todos amigos. Aqui não é ambiente de guerra, é ambiente de paz", disse a diretora em uma das primeiras regras impostas. "Tem um que matou a irmã do outro, tem um que estuprou a mulher do outro, o que você imaginar de coisa absurda tem lá. Se um olhar com a cara feia para o outro é punido os dois. E a maior punição não é ficar isolado na solitária, é também ser obrigado a mudar de prisão”, acrescentou a Cirlene Rocha, falando das normas implantadas por ela. Para ocupar os presos, a diretora implantou padaria, artesanato, esportes e outras atividades que profissionalizam os detentos.

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