
Cidade turbulenta é o termo utilizado quando o assunto em questão é tráfego, fluxo de veículos ou, simplesmente, trânsito. Buzinas constantes, automóveis a 15 km/h, motoristas perturbados, pedestres atônitos e até cães raivosos. Quem nunca conviveu com um ambiente assim, que atire a primeira pedra. O autônomo Paulo Alencar e sua esposa, a gerente administrativa Carla Alencar, conhecem bem toda essa movimentação. Ela trabalha em uma empresa no bairro do Farol e, diariamente, é obrigada a percorrer parte da temerosa Fernandes Lima. “Não há dia e não há hora que não tenha trânsito; se houver um acidente, o caos é total. Só para ter uma ideia, eu utilizo ônibus pela manhã e, só à tarde, é que vou de carro para o trabalho. Quando o meu marido fica com o carro, ele sai de casa às 17h e espera em frente à empresa até as 18h, a hora em que eu largo” – explica Carla. Tratando-se da faixa seletiva dos ônibus, situada na principal avenida da capital, Carla Alencar já presenciou inúmeros coletivos desobedecendo à regra. “Como alguns ônibus não respeitam a faixa, o motorista é obrigado a passar para a seletiva e, mesmo assim, gera o caos”. Para o autônomo Paulo, a realidade irrita condutores e pedestres, sem falar nas obras desordenadas de infraestrutura. “Embora elas sejam necessárias, sem dúvida, foram feitas várias ao mesmo tempo e isso atrapalha o trânsito”, pontua. O taxista Cícero Gauldino Gomes sente o trânsito pesado. Ele, que percorre a capital durante 13 anos, recebe frequentes reclamações de passageiros. “Eu rodo das 6h às 17h e todo passageiro que entra no carro reclama da situação. Muitos deles, que vão para a Fernandes Lima, Centro ou Via Expressa, chegam atrasados. A cada mês, percebo que entra carro novo na capital” – analisa o taxista, que comenta, também, sobre a faixa seletiva dos ônibus. “Não há condições de respeitar porque os próprios ônibus não obedecem”. Alguém já pensou em deixar seu carro, com todo o conforto, e sair para trabalhar em uma bicicleta? Paulo Oliveira de Moraes, assessor de um desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), aderiu a ideia há oito meses. Ele, que reside nas proximidades da Praça Lions, na Pajuçara, pega o veículo e pedala 4,5 km pela ciclovia, até Jaraguá. “Diante desse fluxo de carros, comecei a agir diferente. Três a quatro servidores começaram a me acompanhar. Sem falar em outros benefícios que esse costume traz, como saúde, um exercício aeróbico; preservo o meio ambiente, com menos poluição; não me preocupo com estacionamento; e economia na gasolina” – elenca. De acordo com Paulo, a ciclovia é um elemento primordial nesse contexto, pois, no horário de pico, é mais rápido chegar ao tribunal em uma bicicleta do que no carro. “O governo deveria assumir o compromisso para a construção de ciclovias em todo o Estado. Na duplicação da AL-101 Sul, ele não pensou em colocar uma. A tendência é que a região seja popularizada e o problema se iguale ao da Fernandes Lima. Se Maceió tivesse um espaço destinado ao ciclista, não tenho dúvida que muitos agiriam assim. 20 carros a menos correspondendo a 20 bicicletas já seria um diferencial”.
GAZETAWEB/Foto:Jobson Barros
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