Onde fica a segunda igreja mais antiga de Sergipe? Quem responder que ela está em São Cristóvão ou Laranjeiras, cidades famosas por conta do patrimônio histórico, vai se surpreender em saber que um dos templos mais velhos do Estado está em Neópolis, no Baixo São Francisco, a 120 km de capital. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi erguida no século 17, por volta do ano 1678. Apesar de ser uma construção modesta, a igreja reúne muita história. Já foi um forte usado por invasores holandeses e local para penitência de escravos. Só que a falta de preservação pode fazer com que uma importante parte do passado possa virar poeira. Parte do altar já caiu por causa dos cupins, o telhado está danificado e com infiltrações que ameaçam toda a estrutura de desabamento. A igreja foi construída ao lado de onde ficava a forca da antiga Vila Nova, povoado que deu origem à cidade de Neópolis. Por esta razão, o local virou parada obrigatória para os escravos que eram sacrificados. "Era costume trazê-los até a igreja para que eles pudessem se arrepender dos pecados antes de serem mortos", explica Pedro dos Santos Coelho, zelador voluntário da igreja. Na época da ocupação holandesa no Nordeste, a igreja funcionou como forte. "Eles eram protestantes, então não se importavam de usar locais católicos para outros fins", diz Pedro. No século 18, com a inauguração do santuário de Santo Antônio, a igreja perdeu o status de matriz de Neópolis. O presente tem sido ingrato com a igreja do Rosário. Os altares já perderam o acabamento original em ouro. Parte da frisa do teto já caiu e as imagens originais foram retiradas e abrigadas na matriz. "A igreja só é usada hoje em dia para velórios", admite com tristeza o zelador. Seu Pedro dos Santos Coelho revela que a igreja só não desabou ainda porque ele arrecadava dinheiro para pequenas reformas. "Já fiz rifas de garrote e pedia dinheiro mesmo, mas chega uma hora que não dá mais", diz. A igreja do Rosário é tombada pelo Governo do Estado. "Mas eles dizem que não tem recursos para restaurar. A gente tem tentado fazer com que o Patrimônio Histórico Nacional assuma o tombamento da igreja e a reforma", espera o zelador. Este também é o desejo de outros moradores de Neópolis que têm orgulho do passado da cidade. "Queria muito que tudo fosse restaurado. Acho importante pra gente poder ver que somos parte da história. A gente já arrecadou dinheiro para reformar a Matriz, mas a igreja do Rosário é mais complicado e caro porque precisa de um restauro mais cuidadoso. Espero que as autoridades não deixem ela cair", diz a aposentada Aldeci Silveira.
Por Delano Mendes
Foto: Ana Lícia Menezes
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