O corpo do ator e comediante Francisco
Josenilton Veloso, o Shaolin, está sendo velado pela família desde as 9h30
(horário local) desta quinta-feira (14) no cemitério Campo Santo Parque da
Paz, em Campina Grande, no agreste da Paraíba.
O comediante
morreu aos 44 anos na madrugada após uma
parada cardiorrespiratória, em uma clínica particular da
cidade. Shaolin recebia cuidados médicos em casa desde 2011, após sofrer
um acidente. O velório só deve ser aberto ao público das 11h (horário local) às
15h e o enterro está programado para as 17h.
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A informação da morte foi publicada no Facebook de
Laudiceia Veloso, viúva do artista.
"#LUTO Depois de 1821 dias, nosso guerreiro
terminou sua batalha. É com muita tristeza que divido a nossa dor com todos
vocês. Shaolin apresentou um quadro febril nesta terça e que, infelizmente
evoluiu para uma infecção, precisando de internação imediata. Recebemos a
notícia do hospital, neste momento, que ele sofreu uma parada
cardiorrespiratória e não resistiu. As informações sobre velório e local de sepultamento,
divulgarei mais tarde. Obrigada a todos pelas orações e pela força!",
informou a viúva pela rede social.
'Alegria de viver'
Apesar de estar acamado após quase cinco anos de acidente de carro, Shaolin, tinha alegria de viver. Isso é o que diz o cunhado do artista, Ricardo Santos. Segundo ele, Shaolin começou a ter complicações na terça-feira (12), quando apresentou um quadro de febre. "Laudiceia [esposa de Shaolin] medicou ele em casa com a orientação dos médicos, Shaolin reagiu, a febre passou na terça-feira mesmo", explicou Ricardo Santos.
Na quarta-feira (13), a febre voltou e a família e
os médicos decidiram interná-lo em uma clínica no bairro da Prata, em Campina
Grande. De acordo com o parente do humorista, ele estava em estado regular, mas
durante a madrugada os familiares receberam dos médicos a notícia da morte.
"Assim que ele chegou, os médicos detectaram
um quadro de infecção pulmonar, que é até natural para um doente acamado. A
gente não esperava [a morte]. Nós esperávamos que com a medicação houvesse uma
evolução e ele recebesse alta e já voltasse para casa, pelo menos, até o fim de
semana", disse o cunhado.
O humorista não conseguia falar e se comunicava com
expressões faciais. Mesmo com dificuldades, Shaolin era ativo na vida da
família Veloso. "Ele estava 100% consciente. Tudo que se falava perto
dele, ele demonstrava por meio da expressão facial. Ele ria quando achava
engraçado, chorava quando achava triste. Ele tinha alegria de viver, que é o
principal de tudo. Sempre teve muita força e lutou até o momento que pode.
Jamais desistiu", contou Ricardo Santos.
Por conta da morte de Shaolin, o prefeito de
Campina Grande, cidade natal do humorista, decretou luto oficial na cidade por
três dias.
Filho comediante
O filho de Shaolin, Lucas Veloso, está seguindo a mesma profissão que o pai. Em entrevista em abril de 2014, ele contou que o pai acompanhava seus primeiros passos de perto. "Ele está consciente, entende tudo. É inclusive, digamos assim, o diretor do meu show. Todas as piadas eu testo com ele para saber se pode ou não ir", contou na época.
Nesta quarta-feira, o jovem também publicou em seu
perfil em uma rede social uma homenagem ao pai. "Não aprendi dizer
'adeus'/ mas deixo você ir, sem lágrimas no olhar/ seu adeus me machuca/ o
inverno vai passar, e apaga a cicatriz." Descanse em paz, meu guerreiro!
Desejo honrar sua alegria todos os dias! #LUTO", disse, citando música do
cantor Leonardo, que era imitado por Shaolin. Até as 9h30 (horário local) a
publicação já tinha mais de 4,7 mil compartilhamentos.
O acidente
Shaolin sofreu um acidente no dia 18 de janeiro de 2011 na rodovia federal BR-230, em Campina Grande. No mesmo dia, Shaolin foi socorrido e internado no Hospital de Emergência e Trauma da cidade. Pouco tempo depois, foi transferido para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde foi submetido a cirurgias e ficou internado por cerca de cinco meses.
O motorista do caminhão envolvido no acidente com o
carro de Shaolin, Jobson Clemente, foi condenado no mesmo ano a dois anos em regime aberto,
pena que foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de
três salário mínimos. Em 2012 o Ministério Público chegou a pedir revisão da pena,
considerada muito branda, mas o pedido foi negado em outubro de 2015.
Em 2015, quatro anos após o acidente que o deixou
em coma, Shaolin conseguia se comunicar e interagir com a família
através de "expressões faciais e dos olhos", conforme
relatou sua à esposa época, Laudiceia Veloso.

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