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| Ilustração |
Um
comércio em crise, com lojas fechadas e demissões que não param. Andar pelas
ruas do Comércio de Maceió, nos bairros ou nos shoppings, permite constatar que
a feição de empresários, comerciantes e comerciários exibe dúvidas e
apreensões.
Dados
da Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio/AL), indicam que
entre janeiro e novembro do ano passado 2.060 empregados foram demitidos no
setor do comércio, principalmente os que trabalhavam como vendedores,
recepcionistas, caixas e embaladores. Em 2014 o ano fechou com um saldo
positivo: foram 882 contratações no setor. No ano seguinte foi menos da metade.
Estamos
na Semana Santa e após a frustração das vendas de Ano Novo e Carnaval, o
Comércio já vislumbra uma nova queda em suas vendas. Felippe Rocha, economista
da Fecomércio, resume a situação em uma única frase: "No início do ano, o
saldo não foi positivo em relação às vendas e o cenário para o restante do ano
ainda é nebuloso", disse ele.
Em
setembro de 2015 o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), de Maceió,
chegou a 102,2%. O pior já registrado nos últimos anos.
Nos
últimos quatro meses (novembro-dezembro-janeiro e fevereiro), recentes dados
indicam uma queda elevada na intenção de compra dos maceioenses. Na avaliação
dos comerciantes e empresários, essa negatividade deve continuar pelos próximos
meses e isto tem preocupado o setor do comércio em Maceió.
Rutilio
de Alcântara Taveiros, presidente da Aliança Comercial de Maceió, cita o
resultado da pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC),
que mostra que as famílias em Maceió voltaram a consumir com a mesma proporção
que se endividam.
Dados
do levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC), realizado em parceria com a Fecomércio AL, indicam que o nível
de endividamento dos maceioenses está acima da média nacional; 68,9% ante 61,1%
da média brasileira. Deste total, 35% estão com suas dívidas em atraso e 19,2%
não possuem condições de pagar, tornando-se inadimplentes.
Shoppings
já não afetam movimento no Comércio
Perguntado
se os shoppings poderiam causar o ‘esvaziamento’ das lojas do Comércio, Rutilio
foi categórico.
“Esse
problema já aconteceu. Hoje nossa cidade possui três shoppings e ainda assim o
nosso problema está diretamente ligado à crise econômica no país e a falta de
um reordenamento para os ambulantes que comercializam no Centro. A Prefeitura
promete e não cumpre fazer uma limpeza nas ruas das Árvores, na Praça dos
Palmares e Praça Montepio, onde a prostituição ainda é dominante. Recentemente
tivemos que pagar e instalar bocas de lobo quebradas nas ruas do Comércio. Isso
é papel do município. Pagamos impostos caros, não conseguimos vender, temos que
fechar ou demitir e os gestores municipais nada fazem”, falou em tom de
desabafo o presidente da Aliança.
LOJAS
FECHADAS
O
fechamento de diversas lojas, por vários motivos, também é outra preocupação
para empresários que comercializam no Comércio maceioense.
“A
Rede Insinuante vai mudar nos próximos meses. Toda a rede dará lugar a Ricardo
Eletro motivado por uma fusão iniciada no ano passado. Pelo planejamento da
rede algumas lojas serão fechadas e outras diminuirão o espaço, culminando com
demissões. A CVC está concluindo a transação da compra da rede de farmácias São
Paulo, que chegou recentemente em Maceió e que já anunciou o fechamento de
algumas lojas. No ano passado a rede de farmácias Big Bem e a Jaboatão fecharam
suas lojas em Maceió. O Bompreço fechou sua mais antiga loja. Se somarmos de
outubro do ano passado até fevereiro deste ano são quase 3 mil pessoas sem
emprego apenas no Comércio maceioense. A previsão para até a primeira quinzena
de julho são outras duas mil demissões”, falou ao PRIMEIRA EDIÇÃO José
Venceslau Cândido, do Sindicato dos Empregados no Comércio de Alagoas.
Outra
constatação para uma Semana ‘nada’ Santa para o Comércio de Maceió é a
proliferação de um novo nicho que tem tomado conta das ruas centrais. Chineses
e africanos são os novos ‘donos’ do centro. Enquanto os orientais, com o
dinheiro que possuem, investem em lojas de bijuterias e em pequenas lanchonetes
os africanos, trabalhando informalmente, ocupam as ruas vendendo roupas e
joias.
Morando
em apartamentos próprios – nunca alugados – nos bairros da Ponta Verde e
Pajuçara, os orientais já compraram até galerias inteiras no Comércio de
Maceió. Os contratos das lojas são feitos para um ano, sendo renovados todo mês
de dezembro. Outro fato que chama a atenção é que nenhum deles paga em cheque.
Até as compras aos fornecedores são pagas em dinheiro. Arredios com imprensa,
os chineses admitem que os maceioenses são bons clientes.
NEGÓCIOS
Rutilio
Taveiros fala que cerca de 40 lojas estão sendo controladas pelos chineses. O
detalhe é que apesar deles emitirem notas fiscais para o que vendem, a troca
dos produtos não é aceita. Apenas se o defeito foi mostrado pelo cliente ainda
dentro da loja é que dá o direito de trocar o objeto. Ao sair da loja a pessoa
perde qualquer direito.
Em
situação contrária os senegaleses, moradores de casas de aluguel principalmente
nos bairros da Levada e Bom Parto, não tem carros e só andam em trio. Mas na
hora de vender ficam separados e sempre atentos para a fiscalização, pois não
pagam nenhum imposto e se utilizam irregularmente das ruas centrais para fazerem
suas vendas. De pouco papo eles afirmam que todos os produtos são comprados em
São Paulo, para onde tem de viajar a cada três meses para renovarem os
estoques.
ESTRANGEIROS
Alheios
às tradições do Brasil, orientais e africanos são considerados uma ‘febre’ para
os comerciantes alagoanos. Maria Ângela Cansanção, proprietário de uma loja de
roupas no Comércio disse que os ‘concorrentes’ não sabem o significado da
essência da Semana Santa, mas certamente têm noção de que para eles as vendas
serão melhores.
“Eles
conseguem vender tudo por um preço menor. Logicamente, mesmo alguns pagando
impostos, nada que eles vendam é original. Tudo é similar, mas, para quem vem
ao comércio de Maceió, esse pudor de só comprar coisa de marca, já acabou há
muito tempo. Hoje se compra o que o dinheiro dá e ai os períodos de boas vendas
para nós já não existem mais. A semana Santa será outro fiasco. Não tem
promoção que levante nossas vendas.”, afirmou a empresária.
Pessimismo
também atinge comerciantes dos shoppings
Mas
se no comércio a situação está vexatória, em se tratando de vendas, a previsão
dos donos de lojas nos três shoppings centers de Maceió não é diferente.
Procurados, todos os donos de lojas e gerentes, ‘ensaiaram’ a resposta.
“Essa
falta de estabilidade na economia do país, em que ninguém sabe o que vai
acontecer, só nos causa problemas. Em dezembro poucas lojas fizeram
contratações temporárias e quem fez reduziu em quase 70% em relação ao 2014.
Nessa Semana Santa, nem quem vende chocolate tem boas perspectivas”, disse
Celso Brandão Alípio, proprietário de uma rede de lojas no Maceió Shopping.
No
Parque Shopping, o mais novo centro de compras da Capital, as opiniões são as
mesmas.
“No
ano passado tivemos bons momentos isolados de vendas. Isso se deu por conta que
tínhamos inaugurado recentemente. Mas de novembro para cá a situação não ficou
boa. Pagamos altos preços pelos alugueis, gastamos bastante com folha de
pagamento e no final não conseguimos vender nem a metade. Aqui temos grandes
franquias nacionais que estão demitindo para poder manter a folha. Novos
empreendedores desistiram de se instalar aqui e nos demais shoppings. Se a
coisa continuar dessa forma não haverá dúvidas. No final do ano aqui e nos
outros (shoppings), a metade das lojas estarão fechadas. Não é falta de
cliente. É que o cliente, seja rico ou não, não quer comprar porque tem medo
dessa crise na economia”, falou Fernando Ismânio Lisboa, dono de uma das lojas.
Por Primeira Edição

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