Já começou a movimentação de supostos cabos eleitorais em torno de candidatos a prefeito e a vereadores e vice-versa. Eles oferecem votos a preços que variam entre R$ 50, R$ 100 e R$ 200. Os aliciadores mais afamados estão sendo contratados por candidatos novatos e pelos que vão disputar a reeleição nos 102 municípios de Alagoas. Os especialistas em comprar votos cobram entre um a dois salários mínimos mensais até o dia das eleições ou a taxa que varia entre R$ 5 mil a R$ 10 mil que podem ser pagos em duas parcelas, para arregimentar eleitores.Depois de contratados pelos candidatos, os aliciadores, que se apresentam como líderes comunitários ou líderes políticos de bairros, comunidades rurais e de cidades, partem para o “fichamento” dos eleitores. Eles fazem encontros semanais nas comunidades, pedem cópia do título de eleitor e prometem acima de R$ 50 pelo voto.
Um dos políticos de Alagoas assediado e que teve coragem de falar como funciona o esquema foi o presidente do diretório municipal do PDT e delegado regional do Ministério do Trabalho e Emprego em Alagoas, Israel Lessa. “A hora da Polícia Federal agir é agora. Os aliciadores começam a agir em cima dos políticos e dos eleitores neste período de definição de candidaturas majoritária e proporcional”, alertou.
“Infelizmente, a compra de voto ainda não acabou no Brasil e nem em Alagoas”, constatou Israel Lessa. “Quando eu me candidatei fui procurado. Mas não me submeti aos esquemas”.
EFEITO TATURANA
O líder do PDT de Maceió disse que a compra de voto no Estado é antiga. “Houve um caso emblemático em Alagoas, quando 11 deputados foram afastados da Assembleia Legislativa depois da Operação Taturana [da Política Federal, que desarticulou uma organização criminosa acusada de desviar R$ 300 milhões da ALE]. Dois anos depois, os parlamentares acusados e afastados se reelegeram. A maioria voltou ao parlamento com compra de votos. Infelizmente, a gente percebe que neste período pré-eleitoral muita gente que nunca fez nenhum bem à sociedade, nunca trabalhou, alguns inclusive jovens, se elegem. E daí a gente se pergunta: como fulano conseguiu tantos votos?”.
Ao ser questionado quem são as pessoas que compram votos para os candidatos, Israel Lessa adiantou que “são os cabos eleitorais. Eles são profissionais”. Outro detalhe interessante revelado pelo presidente do diretório municipal é o grau de hereditariedade da função de cabo eleitoral. “Geralmente, a atividade de cabo eleitoral especializado em compra de voto é passada de pai para filho”.
Por Gazeta de Alagoas
ARNALDO FERREIRA - REPÓRTER
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