sexta-feira, 24 de junho de 2016

Paulo Afonso: Estudante de Direito da FASETE é barrada por levar filho de seis anos para sala de aula

Crédito: Arquivo pessoal
Joaquim, meu filho de seis anos, estuda no período da tarde, período esse que eu também estudo, para poupar nosso tempo e dinheiro. Joaquim saiu de férias e a Faculdade que estudo atrasou duas semanas para o encerramento do período. Resultado, precisei levar meu pequeno para assistir apenas uma aula, e ao chegar na Instituição, fui barrada!
Os seguranças alegaram que normas internas impediam a entrada de crianças, expliquei que ele estudava no mesmo horário que eu e que todos já estavam em recesso, menos a FASETE. Tentei falar com o Coordenador do meu curso para, além do acesso, ver a possibilidade de assinar um termo de responsabilidade, mais como de costume, quando mais precisamos, ele não está lá. O mais assustador foi quando, ao encontrar o Professor da aula que eu iria assistir, ali mesmo, na recepção, ele me falou que isso não era apenas normas da FASETE e sim de todas as Instituições de Ensino Superior. Não sabia disso pois nunca precisei levar meu filho para aula - via algumas meninas levarem seus filhos para sala de aula na época do Ensino Médio e achava que aquela integração seria de praxe no contexto educativo. QUE NADA!
Eu me lembro da fala de uma menina que engravidou aos 15 anos e que teve a oportunidade de levar a bebê para escola para que assim pudesse terminar seus estudos, ela dizia agradecida que todos à ajudavam e se compadeciam, e que a menina dormia o tempo todo, não chorava e não atrapalhava a aula. Essa deveria ser a regra.
Então meus queridos, o que sentir se não o desprezo de toda uma sociedade que não preza pelo bem estar de suas crianças nem tão pouco das mães que se esforçam para enriquecer essa mesma sociedade com a qualificação do seu trabalho? O que pensar se não que a comunidade acadêmica com seu dever de propagação da liberdade das mentes e visão social, repugna o fato de uma mulher entrar em uma sala de aula com o futuro da nação a tira colo?
Estou profundamente decepcionada com o posicionamento da FASETE, mas ao mesmo tempo, vejo que esse é o reflexo de uma sociedade que acha que um filho é "problema" apenas da mãe.
Mais eu digo uma coisa, VAMOS DESCONSTRUIR ESSA IDEIA! Todos nós que constituímos uma sociedade, somos responsáveis por todas as crianças que também a compõe.
Por Bárbara Coelho (barbara_baby_pa@hotmail.com)

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