domingo, 28 de agosto de 2016

Clima de "paixão eleitoral" pode acirrar ânimos durante a campanha

Foto: AlagoasWeb
O ritmo e o clima da campanha eleitoral ficou diferente esse ano diante das limitações impostas pela Justiça Eleitoral e a reforma da própria lei, que rege a conduta dos candidatos. Com isso, os eleitorais mais fieis estão mais nas ruas para conquistar cada voto no conhecido "corpo a corpo" e o acirramento entre os adversários é quase improvável de não acontecer. 
Esse clima de paixão pelo candidato leva muitas vezes a prática de violência física de um adversário, um fato lamentável que não tem espaço dentro de um processo tão democrático. No início dessa campanha eleitoral, dois atentados, uma morte e um desaparecimento com características de crimes políticos foram registrados. 
Os fatos estão sendo investigados pela Polícia Civil e resultaram em uma reunião com o  comando da Polícia Militar, Conselho Estadual de Segurança (Conseg) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL). No entanto, esse histórico de violência durante a eleição no estado chama atenção para montar um esquema maior para conter essa violência eleitoral. 
Na eleição para deputado estadual e federal, no ano passado, o assassinato do cabo eleitoral Alisson Belarmino, no Distrito Rocha Cavalcante, em União dos Palmares, marcou o pleito poucos dias antes da eleição. O crime, praticado por um companheiro de campanha, foi motivado por uma discussão relacionado a assuntos  de comitê. 
Esse ano, um homem identificado como Henrique Correia Silva, 31 anos, foi atingido por dois disparos no tórax durante uma caminhada política na cidade do Pilar, sendo encaminhado para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por procedimento cirúrgico.  
No domingo (21), a residência de Hélvio Peixoto, presidente do Partido Republicano da Ordem Social (PROS), em Tanque D’arca, foi alvejada a tiros. O político não é candidato a prefeito, mas faz parte de um grupo político rival do que administra a cidade.
Na segunda-feira (22), o caso maios grave. O professor e candidato a vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), David Silva Leandro,  29 anos, foi assassinado a tiros na segunda-feira, na cidade de Teotônio Vilela, enquanto fazia algumas visitas políticas. Esse último caso pode não estar relacionado a política, mas traz uma grande preocupação pela circunstância pela qual ocorreu.
O corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL), o desembargador José Carlos Malta Marques coloca que não tem como precipitar um raciocínio do que realmente está ligado aos crimes, enquanto não houver uma investigação policial, que deverá ocorrer com conotação política ou não. "No âmbito do TRE de qualquer maneira isso não sai do ambiente criminal, que logicamente serão tomadas todas as providências", completou o desembargador.
Apesar dos poucos dias de início oficial da campanha e curto prazo do período, o corregedor afirma que o órgão eleitoral ainda não parou para analisar ou fazer uma avaliação sobre a movimentação das campanhas eleitorais nas cidades, devido ao grande volume de processos recorrentes ainda do pleito passado.
"Até o momento, pelo menos aqui na corregedoria, não recebemos nada por parte dos juizes sobre qualquer alteração, o que nós leva a crê que o período está transcorrendo normalmente", afirmou José Carlos Malta Marques. Mesmo diante disso, o magistrado ressaltou que em qualquer circunstância, a eleição municipal se torna mais apaixonante por se tratar de uma eleição mais íntima, de pessoas que estão no mesmo lugar a disputa dos votos.
O próprio desembargador e presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL), Sebastião Costa Filho, já havia considerado as eleições municipais como muito mais trabalhosas e com maior índice de irregularidades do que a eleição para cargos de governador e deputados estaduais e federais.
Para definir a eleição municipal, Costa Filho explicou que o número de candidatos é bem maior tendo em vista que são para os cargos de prefeitos e vereadores dos 102 municípios alagoanos. “A diversidade é muito grande e fica bem mais difícil  trabalhar porque além de atuar com todos os juízes, você trabalha com todos os municípios”.
O interesse pessoal do candidato em conseguir se eleger também influencia no comportamento do pleito eleitoral, principalmente quando considerado o fato das irregularidades. Segundo o desembargador, a compra de votos nas eleições municipais é muito maior e o interesse também pesa na disputa.
“Todos os municípios têm os seus interesses. Para deputado estadual, deputado federal e governador, os interesses são isolados e nesses casos específicos não. São interesses locais e aí fica bem mais difícil”, afirmou o presidente.
Segurança Pública monta um esquema para conter violência eleitoral 
A Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic)  foi designada para comandar as  investigações de crimes com conotação política. Nesses casos, os agentes e delegados irão trabalhar em conjunto com os delegados dos municípios onde os crimes acontecerem.
O Delegado Geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, nomeou o delegado Guilherme Iusten, integrante da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), para investigar o assassinato do professor e candidato a vereador em Teotonio Vilela. 
O secretário de Segurança Pública, o coronel Lima Junior ainda afirmou que haverá um trabalho intensivo neste período, para atender todas as demandas da segurança pública. "O que podemos garantir é que nenhum caso ficará sem esclarecimento e que a Segurança Pública mantém sua postura no combate a qualquer tipo de crime”, informou ele. 
Durante a reunião no Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg), a cúpula da segurança definiu por um trabalho integrado tanto no combate aos crimes violentes quanto no combate aos crimes de corrupção eleitoral. Para o vice-presidente do Conselho, Antônio Gouveia, o período é curto e necessita de uma maior atenção, por parte da segurança, e por isso precisa do fortalecimento integrado das Justiça Eleitoral e Judiciária. 
"Nós temos dentro do Conselho representantes do Ministério Público Eleitoral e da Comissão contra a Corrupção Eleitoral, pois quando se fala de corrupção e violência eleitoral os assuntos estão ligados. É um o período muito curto, mas se percebe que todas as vezes que fica próximo das eleições cresce alguns dados de violência", disse Gouveia. 
Por Gilca Cinara - CadaMinuto Press

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