nstituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou nesta terça-feira (1º)
que 191.494 dos 8,7 milhões de inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) não poderão fazer a avaliação no próximo fim de
semana, em razão de 304 ocupações em colégios listados como locais de provas.
As provas adiadas serão realizadas
nos dias 3 e 4 de dezembro, segundo o Inep.
A divulgação das notas do Enem 2016 estava prevista
e foi mantida para 19 de janeiro. Segundo o Inep, não houve alteração nessa
data e, por isso, não vai haver interferência no cronograma das instituições
que usam o Enem como processo seletivo.
As 304 ocupações correspondem a 1,9% dos 16.476
locais de provas previstos, e estão distribuídas em 126 municípios de 19
estados e no Distrito Federal. A lista inclui 177 escolas de educação básica e
127 instituições de ensino superior.
Estados
afetados
Os dois estados com mais ocupações são: Paraná, com
74 locais ocupados e 41.168 alunos afetados, e Minas Gerais, com 59 locais e
42.671 alunos prejudicados. Não há ocupações em locais de provas de Acre,
Amazonas, Amapá, Ceará, Rondônia, Roraima, São Paulo.
As ocupações em diversos estados são motivadas pela
rejeição à medida provisória que trata da reforma do ensino médio e
também contra a PEC do teto de gastos públicos.
Inicialmente, as provas deveriam ser realizadas em
16.476 locais de 1.727 municípios. Em 19 de outubro, o ministro da Educação,
Mendonça Filho, disse que havia 181 escolas do país ocupadas que poderiam
comprometer a realização do Enem para cerca de 95 mil alunos participantes.
À época, Mendonça Filho havia dito que, caso as
provas precisassem se reaplicadas posteriormente, os custos da aplicação (cerca
de R$ 90 por aluno) serão cobrados judicialmente de alunos e entidades que
sejam identificados como responsáveis pelas ocupações.
O MEC chegou a enviar um ofício dando o prazo de cinco dias para que eles identifiquem e encaminhem ao governo federal os nomes de manifestantes que ocupam campi dos institutos federais pelo país. A prática foi contestada pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat.
O MEC chegou a enviar um ofício dando o prazo de cinco dias para que eles identifiquem e encaminhem ao governo federal os nomes de manifestantes que ocupam campi dos institutos federais pelo país. A prática foi contestada pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat.
Nova data do
exame
A presidente do Inep, Maria Inês Fini, diz que os
alunos afetados começarão a receber os avisos nesta noite. Segundo ela, todos
receberão um SMS avisando sobre o adiamento e nova data. Entretanto, o novo
local ainda não será informado neste primeiro contato.
Maria Inês lembra que nos presídios a prova será
realizada nos dias 13 e 14 de dezembro. Segundo ela, os alunos afetados pelas
ocupações não poderão fazer nesta data porque é um dia de semana, e a operação
logística não se aplicaria.
Ela diz que o tempo extra que os estudantes
afetados terão até a prova não devem afetar a preparação e dar alguma vantagem
a eles - pelo contrário, ela acredita que eles precisarão administrar a
ansiedade.
Equivalência
entre as provas
O Inep afirmou que a nova prova do Enem já foi
elaborada e não vai afetar o equilíbrio entre os participantes, pois descarta a
possibilidade de uma prova ser mais "difícil" que a outra. "A
prova é equivalente", afirma Maria Inês
A base dessa argumentação é a chamada de Teoria de Resposta
ao Item, ou TRI, que é a metodologia usada na correção.
O Inep "calibra" todas as questões do
Enem antes de elaborar as provas em eventos conhecidos como pré-teste, quando
as questões são aplicadas a centenas de alunos e o resultado indica seu grau de
dificuldade a partir da porcentagem de acertos. Quanto menos alunos acertarem a
questão, mais difícil ela é.
Assim, o exame se torna "comparável".
Isso quer dizer que é possível comparar notas de candidatos de uma edição do
Enem com as notas de outras edições, porque o nível de todas as edições é
similar. Além disso, o valor que o participante recebe em cada acerto é
definido segundo o perfil de erros e acertos do aluno em toda a prova.
Do G1
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