Caros amigos e amigas, Sou estudante de Engenharia Elétrica do Instituto federal da Bahia, sempre estudei em escola pública, não sou a favor do suposto corte no orçamento da educação e estou impedido de entrar na minha instituição de ensino, mais precisamente no Campus Paulo Afonso. Um movimento que já começou incoerente em sua deflagração, no dia de ontem, 14 de novembro, distorceu todo conceito de democracia e de respeito à própria educação brasileira. Ora, como pode um movimento como esse ser deflagrado sem que houvesse a maioria dos alunos do IFBA presentes na assembleia? Que representatividade há nessa deflagração? A maioria da modalidade de ensino subsequente e integrado pode representar os alunos de Engenharia? Acredito que não. Pior que isso foi ouvir a seguinte frase da mesma boca que grita aos quatro ventos exigindo democracia: quem não estava na reunião perdeu o direito de opinar. Que palhaçada é essa? Isso foi a criação de uma nova modalidade de democracia para atender interesses de quem não tinha certeza que ganharia a votação que favoreceria a ocupação. Situação lamentável para a comunidade do IFBA! Nós, do curso de engenharia, estamos na semana de provas e trabalhos para a conclusão do semestre e em assembleia ficou decidido que os manifestantes permitiriam que concluíssemos nossas atividades acadêmicas. Porém, de forma totalitária impediram a entrada dos alunos para que pudessem realizar suas provas e trabalhos ainda durante a vigência do acordo. Mais um grande exemplo de democracia, não? Para mim, o ponto de maior constrangimento ocorreu no dia de ontem. Compareci junto com minha turma para apresentar um seminário e recebi a seguinte informação: somente poderia entrar no instituto junto com o professor da matéria e escoltado por dois manifestantes. Acreditem, entrei no campus em fila indiana escoltado por dois manifestantes. Eu não posso transitar livremente na escola em que estou regularmente matriculado e pior, tenho que ser acompanhado por pessoas que sequer conheço. Minha entrada no IFBA para apresentar um trabalho é motivo de segurança? Colegas, sou plenamente a favor das manifestações estudantis, mas que elas não interfiram no direito dos outros de poder estudar e circular por suas escolas. Parar a educação em um país necessitado de educação é piorar o problema. Temos alguns exemplos de manifestações de rua que deram certo, a exemplo, os caras pintadas e a revolta dos 20 centavos. Vão para as ruas então, mostrem para a população o que vocês querem saindo dos muros do Instituto e deixem de brigar para utilizar o ar-condicionado da biblioteca do campus. Imaginem se os brasileiros protestassem por um SUS melhor ocupando os hospitais públicos impedindo os médicos de realizarem atendimento. Alguém teria essa coragem? Acho que não, pois, nesse caso, a consequência seria imediata e contra a população! Mas no caso da educação o raciocínio deveria ser semelhante, mas como o resultado dessas ocupações só serão sentidas no futuro, não precisamos nos preocupar, né?
Só quero o direito de poder estudar e entrar na minha escola a hora que eu bem entender. Nada mais do que a constituição me oferece quero que meu direito de ir e vir seja respeitado. Aos ocupantes do nosso IFBA digo que vocês têm o meu total apoio para protestar por uma educação descente no país, mas sem parar o que mais nos faz falta nesse momento, a educação.
Sorte a todos!
THIAGO BRANDÃO DOS ANJOS Graduando em Eng. Elétrica
Do Ozildo Alves
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