Lula autoriza doação de órgãos de Marisa Letícia
Segundo informação
confirmada pelo ex-presidente Lula em sua conta de Facebook,
a família já autorizou o início do procedimento de doação dos órgãos. Na
mensagem, ele agradece as demonstrações de apoio dos últimos dias.
O boletim
divulgado pelo
hospital Sírio Libanês, a paciente apresenta “ausência de fluxo cerebral”.
Em outras palavras, teria ocorrido a morte cerebral de Marisa Letícia.
O AVC aconteceu em decorrência da ruptura de
um aneurisma cerebral (dilatação de uma artéria ou veia que irriga o cérebro).
Inicialmente, Marisa foi atendida no Hospital Assunção, em São Bernardo do
Campo, São Paulo, onde se diagnosticou o AVC. Depois, foi encaminhada ao
Hospital Sírio Libanês, na capital paulista.
Após o atendimento de emergência, ela foi
submetida à embolização (estancamento) do aneurisma para conter a hemorragia.
Também foi instalado um cateter para drenar o sangue que se espalhou pelo
cérebro e para medir a pressão intracraniana. Esse aneurisma já havia sido
diagnosticado há 10 anos, mas, como era pequeno, na época os médicos avaliaram
que não era necessária uma cirurgia.
Desde que recebeu o tratamento para conter o
AVC, Marisa esteve em coma induzido na UTI do Sírio Libanês. Na segunda-feira,
dia 30 de janeiro, foi detectada, em um ultrassom, a presença de trombose
venosa profunda dos membros inferiores em Marisa. Os médicos realizaram a
passagem de um filtro de veia cava inferior com o objetivo de prevenir a
ocorrência de embolia.
Biografia
Marisa Letícia nasceu em 7 de abril de 1950,
em São Bernardo do Campo, em uma família de imigrantes italianos da região de
Palazzago, na Província de Bérgamo, norte da Itália. Seus pais, nascidos no
Brasil, eram vendedores de verduras e legumes na região do ABC Paulista.
Marisa
estudou apenas até a 7ª série e, ainda criança, começou a trabalhar como babá. Aos 13 anos, ela teria se tornado
operária em uma fábrica de chocolates. Depois, trabalhou no departamento de
educação da prefeitura de São Bernardo do Campo.
Em 1970, Marisa casou-se pela primeira vez com
Marcos Cláudio dos Santos, um taxista que morreu em São Bernardo do Campo três
meses depois do casamento. Ela estava grávida na época e seu filho sequer
chegou a conhecer o pai.
Conheceu Lula no Sindicato dos Metalúrgicos em
1973, quando, aos 23 anos, tentava obter um pecúlio deixado pelo primeiro
marido. Casou-se com o metalúrgico em 1974 e, com ele, teve mais três filhos,
Fábio, Sandro e Luís Cláudio.
O filho do primeiro casamento, Marcos Cláudio,
foi registrado por Lula e, mais tarde, também incorporou o sobrenome Lula da
Silva no registro, em homenagem ao padrasto.
Um ano depois do casamento, Lula se tornou
líder do sindicato, e Marisa, figura avessa aos holofotes e a entrevistas,
passou a acompanhar o marido na vida política com seu jeito discreto.
Ela estava ao lado de Lula quando ele foi
preso em casa em 1980 pelos agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e
Social) durante a ditadura militar. No período em que morou no Palácio da
Alvorada, quando Lula foi presidente, entre 2004 e 2011, Marisa optou por não
se envolver nos assuntos políticos do marido. Como primeira dama, não fez parte
de programas sociais do governo, o que antecessoras na posição haviam feito.
Em setembro de 2016, junto ao marido Fábio
Luís Lula da Silva (o Lulinha), Marisa tornou-se ré na Operação Lava Jato em
denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e acolhida pelo juiz federal
Sérgio Moro. Ela responde pela acusação de lavagem de dinheiro por conta de um
apartamento tríplex no Guarujá. O imóvel (e reformas feitas nele) seria
resultado de propinas recebidas do Grupo OAS.
Ela também teve seu nome envolvido na
investigação da Polícia Federal (PF), no âmbito da Lava Jato, sobre o sítio de
Atibaia, de propriedade dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna.
Segundo relatório da PF, Marisa e Lula seriam donos do sítio e teriam orientado
reformas de mais de R$ 1 milhão na propriedade.
O Instituto Lula e os advogados do casal
afirmaram, durante a fase de investigação e denúncia dos dois casos, que o
casal não era proprietário do apartamento ou do sítio e que agiram de acordo
com a lei.
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Da Redação, com Exame.abril
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