quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Em três anos, 17 pessoas foram mortas por justiçamento em Alagoas

Rosenildo Gomes dos Santos, de 33 anos, o "Prego", é o nome do homem que foi apontado como "o estuprador de uma adolescente", e, em seguida, julgado e assassinado a pedradas e pauladas em um tribunal formado por populares que residem na Vila Emater, no bairro de Jacarecica, em Maceió. O caso, ocorrido nessa quinta-feira (8), é o mais recente registrado no estado, mas ao longo dos últimos três anos, 17 pessoas apontadas como suspeitas de delitos e crimes foram assassinadas dessa forma, de um total de 109 casos de espancamentos , segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL).
De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB seccional Alagoas, Ricardo Moraes, os números coletados e levantados pela entidade assustam. O advogado lembrou que, apesar de a sociedade acreditar que está fazendo "Justiça", o ato de justiçamento é crime e os responsáveis podem ser presos e responsabilizados pelo Poder Judiciário. Moraes ressaltou que, em alguns casos já vistos em Alagoas e no Brasil, os suspeitos acabam sendo inocentados por falta de provas ou de elementos que comprovem a culpa. 
"De modo geral, a população precisa entender de forma clara que este ato é crime e é grave. Muitas vezes, as agressões e as mortes dos acusados pela população acontecem por motivos como furtos. Já em outras situações, a ação se dá por crimes graves. Independentemente disso, o justiçamento é ilegal e a OAB vem acompanhando os casos. Registramos situações na periferia, como também na área nobre. É algo que acontece no país como um todo e não escolhe uma classe social", argumentou o presidente da entidade. 
Conforme levantamento da OAB, em 2014 foram registrados 38 casos de espancamento, resultando em oito mortes. Em 2015, foram 36 agressões, com três suspeitos entrando em óbito. Já em 2016, foram 35 casos, com resultado morte em seis deles. No ano de 2017, foram duas agressões e, ao menos, uma morte confirmada. Os dados deste ano ainda estão sendo levantados pela seccional. 
O coordenador da delegacia de homicídios de Maceió, delegado Fábio Costa, garantiu que, havendo a constatação no inquérito policial de que a morte do suspeito se deu por justiçamento, as equipes da Polícia Civil trabalham para identificar os responsáveis e levá-los à Justiça. "Nestes casos, as pessoas são presas e indiciadas por homicídio", explicou o delegado. Para o andamento do inquérito, os agentes precisam de testemunhas, imagens e outros elementos que reforcem a tese de justiçamento.  
Por Gazetaweb.com 

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