A Polícia
Federal (PF) utilizou apenas dois laudos técnicos para desencadear a operação
Carne Fraca, conforme apurou o Jornal Nacional nesta segunda-feira
(20).
A
investigação, iniciada há dois anos, baseou-se principalmente em interceptações
telefônicas e depoimentos de fiscais e funcionários de frigoríficos.
Ainda
nesta segunda-feira, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara
Federal de Curitiba, determinou que todos os laudos técnicos que serviram de
base para a operação sejam apresentados até a terça-feira (21) pela PF.
O juiz
atendeu a um pedido feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, que também pediu acesso às numerações de lotes considerados
suspeitos, para poder fiscalizar os produtos.
Laudos
Um dos
laudos anexados ao relatório apresentado pela Polícia Federal é o "exame
de produto", feito na empresa Peccin, que fabrica derivados de frango,
porco e embutidos em geral com a marca Italli.
Segundo a
PF, o laudo "comprova a impropreidade das salsichas e linguiças produzidas
pela Peccin e coletadas em estabelecimentos comerciais de Curitiba,
materializando crime contra a saúde pública". As duas unidades da Peccin,
em Curitiba e Jaraguá do Sul (SC), foram interditadas.
Outro
laudo foi feito com produtos do frigorífico Souza Ramos, em Colombo, na Região
Metropolitana de Curitiba (RMC), que fabrica embutidos. No primeiro semestre de
2014, pelo menos 14 toneladas de salsicha foram servidas a alunos de escolas
estaduais do Paraná.
A Polícia
Federal afirma que o laudo na Souza Ramos apontou que os produtos tinham
formulação diversa do contrato e do próprio rótulo, conforme exame
laboratorial.
As
investigações indicam que, no lugar do peru, que deveria estar na composição,
as salsichas eram feitas com carcaças de frango, inferior em qualidade e valor
nutricional.
Peccin e
Souza Ramos negam as acusações.
Defesa e
críticas
A
Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) defendeu, nesta
segunda-feira, a Carne Fraca. O presidente Luís Boudens disse que a operação
reforça o compromisso dos policiais federais com o combate à corrupção e com os
interesses da sociedade.
O
presidente, no entanto, criticou a atuação do delegado Maurício Moscardi,
coordenador da investigação. Segundo ele, o delegado não tem experiência para
tratar de assuntos delicados como o eventual abalo econômico advindo de uma
grande operação como a Carne Fraca.
Procurada
pela reportagem, a PF não respondeu aos questionamentos sobre os laudos
apresentados na Carne Fraca. A corporação também não se pronunciou sobre quais
marcas, produtos e lotes estão sob investigação e nem sobre o destino das
mercadorias suspeitas de terem problemas.
Moscardi
disse que não houve precipitação. Segundo ele, muitos fatos ainda estão sob
sigilo e muitas provas ainda serão apresentadas.
Foto: Ei Pais Brasil
Por G1 PR,
Curitiba
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