Dois dos três senadores da República por Sergipe aparecem entre os políticos que devem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da operação Lava Jato. Eduardo Amorim (PSC) e Maria do Carmo Alves (DEM) estão na lista do ministro Edson Fachin, relator da operação no STF, divulgada pelo pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta terça-feira (11).
De acordo com o jornal, o ministro relator determinou a abertura dos inquéritos com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht. A relação dos investigados também inclui nove ministros do governo Temer, 27 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das duas Casas, Eunício Oliveira e Rodrigo Maia, respectivamente. O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao STF, todos com foro privilegiado naquela Corte.
No caso dos parlamentares sergipanos, os delatores afirmaram que o então prefeito de Aracaju, João Alves Filho, teria solicitado o pagamento de Caixa 2 no valor de R$ 600 mil para as campanhas de Maria e Eduardo ao Senado, em 2014.
A quantia foi lançada nas planilhas do setor de propinas em nome de “Branquinho”. Em troca, segundo os depoimentos, a empresa teria favorecimento em projetos de saneamento básico.
Investigados
Apesar de estar citado no pedido de abertura de dois inquéritos, o presidente da República, Michel Temer, não é alvo de investigação por causa da “imunidade temporária” que o cargo lhe proporciona.
Entre os ministros estão Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil; Moreira Franco (PMDB), da Secretaria-Geral da Presidência da República; Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia; Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional; Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores; Blairo Maggi (PP), da Agricultura; Bruno Araújo (PSDB), das Cidades; Roberto Freire (PPS), da Cultura; e Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
Os crimes mais frequentes descritos pelos delatores são de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e há também descrições a formação de cartel e fraude a licitações.
F5 News procurou as assessoria dos dois senadores sergipanos, mas até a última atualização desta notícia obteve resposta apenas do senador Eduardo Amorim (veja abaixo). O portal permanece à disposição através do email jornalismof5news@gmail.com.
Resposta Eduardo Amorim
“O meu nome foi citado na “Lista de Fachin” junto ao da senadora Maria do Carmo (DEM/SE) e que o então prefeito João Alves (DEM/SE) teria solicitado R$ 600 mil para as duas campanhas em 2014. Gostaria de esclarecer que não autorizei ninguém a pedir valores para a campanha em meu nome, nunca tive qualquer contato e não conheço os empresários Fernando Luiz Ayres da Cunha Reis e Alexandre José Lopes Barradas – delatores da Lava Jato. nunca e em tempo algum pedi nada a Odebrecht e, repito, não autorizei ninguém a solicitar dinheiro e muito menos tive conhecimento disso. A minha campanha não utilizou recursos de caixa dois. E isso fica comprovado, inclusive, na denúncia divulgada, onde meu nome não aparece como requerente, nem recebedor destes recursos. Quem solicitou valores aos empresários para uso em caixa dois, que explique e responda pelos seus atos. Todas as doações da minha campanha foram oficiais, declaradas e encontram-se à disposição no site do TSE. No mais, estou à disposição da Justiça para possíveis esclarecimentos”
Do F5News
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