Após terem
cumprido o mandado de prisão preventiva, expedido pela 3ª Vara Criminal,
agentes do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração
Pública (Deotap) chegaram por volta da 17 horas na sede do Instituto Médico
Legal de Sergipe (IML), em Aracaju (SE), com o proprietário da empresa TORRE
Empreendimentos, José Antônio Torres Neto.
Segundo a
Secretaria de Segurança Pública (SSP), a ação faz parte da segunda fase da
Operação Babel, que foi desencadeada pela Polícia Civil na manhã deste domingo
(9) e investiga possíveis irregularidades nos contratos referentes à coleta de
lixo em Aracaju (SE).
O
empresário estava em um hotel em Salvador (BA), do qual é um dos sócios, e
imediatamente foi encaminhada para Aracaju. No Instituto Médico Legal de
Sergipe (IML) ele vai passar pelo exame de corpo de delito e foi encaminhado
para a 1ª Delegacia Metropolitana de Aracaju.
O advogado
de defesa Evânio Moura esteve no local e falou com a imprensa. “A informação
que tive do próprio delegado é de que a prisão teria sido provocada por conta
de um aparelho celular, mas ainda vou me informar lendo a decisão. Os
argumentos para prisão preventiva são claros. Nós vamos analisar com cuidado e,
entendendo que esses argumentos não estão presentes, vamos questionar”,
explicou.
Ele
acredita que a disputa na semana passada não foi comprometedor. "Para
nós foi uma surpresa essa prisão em um dia de domingo. O comportamento dele é
de total respeito e colaboração ao trabalho pela polícia sergipana",
disse.
Segundo a
assessoria de comunicação da SSP, outros mandados estão sendo cumpridos pela
equipe do Deotap e novas prisões podem ocorrer a qualquer momento.
Depoimento
Nata
sexta-feira (31), o
delegado da Departamento de Crimes Contra Ordem Tributária (Deotap), Gabriel
Nogueira ouviu dois sócios da empresa Torre a respeito da Operação Babel,
que investiga possíveis irregularidades dos contratos das empresas que fazem a
coleta de lixo na capital sergipana.
Os
empresários José Antônio Torres e Soraia Torres estavam acompanhados pelo
advogado Evânio Moura. “A empresa Torre vai apresentar todos os contratos e
explicações que a polícia solicitar. A Torre tem explicação para todo e
quaisquer questionamentos. Para os aditivos, cláusulas do contrato e
pagamentos. Temos uma farta prova documental acerca do trabalho prestado, da
qualidade do serviço e dos valores praticados”, disse o advogado.
Sobre a
investigação Evânio resumiu: “as investigações aconteceram por vários motivos,
entre eles componentes políticos e empresariais. Mas esperamos que a verdade
venha à tona. Com relação aos meus clientes não temos dúvidas que vai resultar
no arquivamento”.
Nesta
semana a polícia já ouviu o representante de outra empresa que trabalha no ramo,
a Cavo. Além do diretor-presidente
da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Mendonça Prado e o
assessor e comunicação da empresa Augusto Aranha.
Primeira
Fase
O
Departamento de Repressão Contra a Ordem Tributária e Administração Pública
(Deotap), cumpriu na terça-feira (21), 13 mandados de busca e apreensão na
Emsurb e na empresa Torre Empreendimentos, na ocasião foram recolhidos
documentos, computadores e celulares que já estão sendo analisados pela
polícia.
O delegado
da Deotap, Gabriel Nogueira Júnior é o responsável pelo caso e explicou como as
investigações foram iniciadas. “Em setembro do ano passado foi instaurado um
inquérito policial com o objetivo de apurar uma suspeita de fraudes na medição
de lixo que estava ocorrendo aqui em Aracaju no período de 2013 e 2016. Esse
processo que teve como início uma denúncia da empresa Cavo em face da empresa
Torre tinha este objetivo inicial de fazer esta apuração".
De acordo
com o delegado, na sequência a própria Emsurb formulou uma nova notícia crime,
dando conta de que haveria uma suspeita de superfaturamento na origem desse
contrato que se deu em 2010.
Entenda o
caso
O contrato
de prestação do serviço de coleta de lixo firmado entre a Cavo e a Empresa
Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) terminou no dia 5 de março deste ano.
Dias antes
do fim do contrato com a Cavo, no dia 24 de fevereiro, a Emsurb apresentou
documentos no Tribunal de Contas de Sergipe (TCE) para a contratação temporária
e emergencial de empresa de coleta de lixo para executar serviços na capital
por 180 dias.
A Cavo,
empresa do grupo Estre Ambiental, divulgou que não participaria da concorrência
para esse contrato porque encontrou irregularidades no edital, como ausência de
informações e prazos suficientes para a apresentação de uma proposta. A
licitação foi suspensa em 2 de março após uma decisão da Justiça, que acatou os
argumentos apresentado pela Estre.
Já no dia
6 de março, a Torre assumiu a coleta domiciliar de lixo e a varrição das ruas
da capital. A Emsurb informou que um contrato emergencial foi feito com a Torre
por um prazo de 180 dias, devendo ocorrer uma licitação pública em um prazo de
90 dias.
Atendendo
a uma solicitação do Ministério Público Estadual (MPE), a Justiça determinou
que a Prefeitura de Aracaju prorrogasse o serviço de coleta de lixo através da
empresa Cavo por mais 70 dias, até que fosse organizado um novo processo de
licitação para o serviço. O presidente da Emsurb, Mendonça Prado, informou que
a Prefeitura de Aracaju foi notificada da decisão em 7 de março.
Ele disse
que a gestão municipal iria recorrer da decisão da Justiça e que e empresa
Torre tem condições de realizar o serviço emergencial. Mendonça Prado confirmou
ainda que o valor do contrato da Torre é superior ao da Cavo por causa da
contração de mais equipes e serviços.
Já no dia
8 de março, o líder da bancada de oposição, vereador Elber Batalha Filho (PSB),
protocolou na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) o requerimento que pede a
instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo. O motivo foi o
processo de contratação emergencial da empresa Torre, que voltou a operar na
capital com um contrato de mais R$ 42 milhões.
No dia
seguinte, o Ministério Púbico moveu uma ação de improbidade administrativa por
desobediência de decisão judicial e pediu o afastamento do presidente da
Emsurb, Mendonça Prado. Segundo o MPE, o gestor teve tempo suficiente para realizar
o trâmite necessário para substituir a empresa Cavo, já que ele tinha
conhecimento de que o contrato seria encerrado no dia 5 de março. E, que por
isso, não era necessária a contratação da empresa Torre em caráter de
emergência.
A Torre
interrompeu os serviços em 10 de março. A Emsurb disse que a coleta de lixo só
foi realizada simultaneamente entre a Torre e a Cavo na segunda-feira (6) e em
parte da terça-feira (7). O pagamento do serviço à Torre será proporcional aos
dias de trabalho, conforme divulgado pela Emsurb.
Na última
quinta-feira (16), a Emsurb disse que o edital de contratação emergencial da
empresa de coleta de lixo está sendo discutido pela assessoria jurídica e
equipe de licitação do órgão municipal. O prazo para que a nova licitação fique
pronta termina em 15 de maio.
Foto:
Rafael Carvalho
Da Redação, com G1 SE
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