Caso
Gabrielli continua sem solução em Santa Catarina
No dia 3
de março de 2007 a menina Gabrielli Cristina Eichholz, de 01 ano e 6 meses de
idade, foi encontrada morta dentro do tanque de batismo de uma Igreja Adventista
do Sétimo Dia, em Joinville, Santa Catarina. A pequena Gabrielli foi deixada
pelos pais em uma sala da Igreja junto com outras crianças sob a
responsabilidade de lideres religiosos, enquanto eles (os pais) participavam do
culto. Quando voltaram para busca-la, ela estava desaparecida e, depois de
buscas, foi encontrada dentro do tanque de batismo morta.
Passados
alguns dias, o pedreiro Oscar do Rosário foi acusado pela polícia de ter sido o
autor do assassinato da menina, com apontamento do laudo do IML de violência sexual
e estrangulamento. Preso, o pedreiro
confessou ter matado a criança e participou da reconstituição do crime, mas,
semanas depois disse ser inocente, e que só confessou porque foi ameaçado por
policiais e acreditava que a polícia iria em buscas de outras provas. ‘Pensei
que eles não iam só ficar com o meu depoimento, procurar mais provas e ver que não
era eu. Não fui eu quem fez isso”, disse Oscar em entrevista à RBS TV.
O homem
que chegou a ser condenado por matar a menina foi solto após o processo ser
anulado e, hoje, cobra na Justiça uma indenização de R$ 8 milhões. Dez anos
depois, dúvidas e reviravoltas ainda marcam o caso. As causas da morte da
menina Gabrielli permanecem desconhecidas.
Caso teve reviravolta em 2010
O homem acabou condenado a 20 anos de prisão por um júri popular realizado em 2008. Ele passou três anos e 14 dias preso, quando ganhou a liberdade em meio a uma reviravolta. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina considerou que houve falhas na investigação e anulou todo o processo que apurou, julgou e condenou o pedreiro. A decisão foi tomada em março de 2010, com voto favorável de cinco dos nove desembargadores aptos a decidir.
Devido ao
arquivamento, a defesa de Oscar pede a indenização milionária pelo tempo em que
ele ficou preso. A ação busca um valor maior do que o já conquistado na
Justiça, que condenou o Estado a ressarcir o pedreiro em R$ 40 mil. O recurso
chega a R$ 8 milhões e foi recebido há poucos dias por um dos desembargadores
de Florianópolis, mas ainda não tem data para ser julgado. “Primeiro, eu
pergunto: quanto vale um dia de liberdade da sua vida? Ainda mais você sabendo
que é inocente. Você sabendo que está lá por algo que não cometeu. Por um crime
horrendo da forma como ele foi acusado. Todo mundo, num primeiro momento,
queria matá-lo”, questiona Elizângela
Asquel Loch, advogada de Oscar.
Para o promotor de Justiça Giovani Tramontin, que pediu a condenação de Oscar no júri, o fato de o processo ter sido anulado por falhas na investigação não representa a inocência dele. “Ninguém disse que não foi ele. O que se está dizendo é que não se tem mais prova para sustentar a acusação. Ele não foi absolvido”, explica.
Anulação do processo
Já a defesa diz que, na época, todos que deram depoimento, ninguém cita o Oscar, ninguém viu o Oscar na igreja e que desde o início tentava provar que havia possíveis falhas na investigação do crime. Insatisfeitos com o laudo que apontou violência sexual e assassinato, os advogados pediram uma segunda análise para a causa da morte de Gabrielli. “Nós fomos buscar uma segunda opinião. E no laudo e nas explicações, de maneira nenhuma aconteceu a esganadura ou o abuso sexual. Tanto que ela tinha água no pulmão. A morte dela foi por afogamento”, comenta a advogada.
Além do documento que, segundo a defesa, aponta um acidente, em vez de abuso, os advogados de Oscar apresentaram registros telefônicos de um orelhão que fica a dois quilômetros da igreja. O relatório indicava ligações para o celular da irmã de Oscar no mesmo dia e horário em que teria ocorrido a morte a menina. Eles citam ainda que a anulação do processo pelo Tribunal de Justiça também considerou a falta de um mandado de prisão e uma possível confissão coagida. “O Oscar novamente pediu por um advogado, o delegado disse que não, que ele não precisa de advogado. Que o advogado vai ser chamado e nomeado por nós delegado”, relata Elizângela.
No entanto, o promotor Giovani Tramontin não acredita em uma possível coação. “Estava muito claro que ele não foi agredido porque foi filmado o interrogatório dele. A confissão dele foi toda filmada, tem um vídeo de aproximadamente uma hora no qual ele confessava tudo com riqueza de detalhes. De como é que ele pegou, onde é que ele assentou, como é que ele fez tudo, com riqueza de detalhes”, recorda.
Para o promotor de Justiça Giovani Tramontin, que pediu a condenação de Oscar no júri, o fato de o processo ter sido anulado por falhas na investigação não representa a inocência dele. “Ninguém disse que não foi ele. O que se está dizendo é que não se tem mais prova para sustentar a acusação. Ele não foi absolvido”, explica.
Anulação do processo
Já a defesa diz que, na época, todos que deram depoimento, ninguém cita o Oscar, ninguém viu o Oscar na igreja e que desde o início tentava provar que havia possíveis falhas na investigação do crime. Insatisfeitos com o laudo que apontou violência sexual e assassinato, os advogados pediram uma segunda análise para a causa da morte de Gabrielli. “Nós fomos buscar uma segunda opinião. E no laudo e nas explicações, de maneira nenhuma aconteceu a esganadura ou o abuso sexual. Tanto que ela tinha água no pulmão. A morte dela foi por afogamento”, comenta a advogada.
Além do documento que, segundo a defesa, aponta um acidente, em vez de abuso, os advogados de Oscar apresentaram registros telefônicos de um orelhão que fica a dois quilômetros da igreja. O relatório indicava ligações para o celular da irmã de Oscar no mesmo dia e horário em que teria ocorrido a morte a menina. Eles citam ainda que a anulação do processo pelo Tribunal de Justiça também considerou a falta de um mandado de prisão e uma possível confissão coagida. “O Oscar novamente pediu por um advogado, o delegado disse que não, que ele não precisa de advogado. Que o advogado vai ser chamado e nomeado por nós delegado”, relata Elizângela.
No entanto, o promotor Giovani Tramontin não acredita em uma possível coação. “Estava muito claro que ele não foi agredido porque foi filmado o interrogatório dele. A confissão dele foi toda filmada, tem um vídeo de aproximadamente uma hora no qual ele confessava tudo com riqueza de detalhes. De como é que ele pegou, onde é que ele assentou, como é que ele fez tudo, com riqueza de detalhes”, recorda.
Silêncio e
recomeço
O delegado Rodrigo Gusso, que esteve à frente das investigações, e Dirceu Silveira, delegado regional de Polícia Civil de Joinville na ocasião, não comentam sobre o caso. Os pais da menina também não quiseram falar sobre o assunto. A família chegou a acionar judicialmente a Igreja Adventista do Sétimo Dia, por negligência, mas entrou em um acordo com a instituição.
Já Oscar Gonçalves do Rosário mantém silêncio sobre o período que mudou sua vida. Solto há sete anos, ele tenta reconstruir a vida em Canoinhas, cidade onde nasceu. Hoje casado e pai de um filho, ele trabalha como operário agroindustrial e busca esquecer o passado. “Essas coisas, eu nem gosto de ficar falando. Na verdade, a lembrança vira até para a raiva”, conta. Fora da prisão, ele prefere pensar no futuro com a família. “Um pouco já está sendo realizado, mas tem mais. Meu filho tem cinco anos e quero ver ele formado, ser grande na vida. O que eu quero é dar um futuro diferente para o meu filho”, finaliza.
O delegado Rodrigo Gusso, que esteve à frente das investigações, e Dirceu Silveira, delegado regional de Polícia Civil de Joinville na ocasião, não comentam sobre o caso. Os pais da menina também não quiseram falar sobre o assunto. A família chegou a acionar judicialmente a Igreja Adventista do Sétimo Dia, por negligência, mas entrou em um acordo com a instituição.
Já Oscar Gonçalves do Rosário mantém silêncio sobre o período que mudou sua vida. Solto há sete anos, ele tenta reconstruir a vida em Canoinhas, cidade onde nasceu. Hoje casado e pai de um filho, ele trabalha como operário agroindustrial e busca esquecer o passado. “Essas coisas, eu nem gosto de ficar falando. Na verdade, a lembrança vira até para a raiva”, conta. Fora da prisão, ele prefere pensar no futuro com a família. “Um pouco já está sendo realizado, mas tem mais. Meu filho tem cinco anos e quero ver ele formado, ser grande na vida. O que eu quero é dar um futuro diferente para o meu filho”, finaliza.
Foto: Marco Antonio Mendes / RBS TV
Da Redação
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