O corpo do
cantor Belchior deixou o local do velório em Fortaleza e segue em veículo do
Corpo de Bombeiros para o Cemitério Parque da Paz, onde será sepultado na manhã
desta terça-feira (2).
O trajeto
até o cemitério passa pelas vias Ildefonso Albano, Rui Barbosa, Monsenhor
Salazar, BR-116, Alberto Craveiro e Avenida Juscelino Kubitschek.
Cerca de 8
mil pessoas passaram pelo velório do artista no hall do teatro do Centro
Cultural Dragão do Mar, no Bairro Praia de Iracema, em Fortaleza, desde a tarde
desta segunda (1º) até cerca de 7h desta terça (2), de acordo com a secretaria
estadual da Cultura. Houve uma missa de de corpo presente com a presença de
amigos e familiares. Músicos que trabalharam com Belchior executaram músicas do
cantor durante a missa. Horas antes do início do velório, fãs
chegaram ao Centro Dragão do Mar vindos, inclusive, de outras cidades.Durante
toda a tarde, promoveram um encontro cheio de homenagens e música.
O corpo
partiu de Sobral, cidade natal do artista, e chegou à capital cearense por
volta das 12h30 de ontem, seguindo no carro do Corpo de Bombeiros por ruas da
capital até o Centro Dragão do Mar. O cortejo passou por avenidas como Luciano
Carneiro, Treze de Maio, Pontes Vieira, Desembargador Moreira e Abolição. O
caixão foi conduzido pela Polícia Militar, que prestou uma homenagem ao cantor
na chegada ao local.
Sobral
O primeiro
momento do velório ocorreu em Sobral e terminou pouco mais de 11h30 desta
segunda-feira (1º) com aplausos e uma chuva de pétalas na saída do Teatro São
João, no Bairro Centro. Em seguida, o corpo foi levado para Fortaleza. Ele partiu
do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por volta da 1h da madrugada, em
um voo fretado pelo governo cearense, chegando a Sobral às 7h40.
A morte
Belchior
foi encontrado morto em casa no domingo, em Santa Cruz do Sul (RS), aos 70
anos. Ele vivia na cidade de 126 mil habitantes do Vale do Rio Pardo, a cerca
de 150 km de Porto Alegre, com a mulher, que o encontrou morto. Ela disse à
polícia que Belchior não
tinha problemas nem tomava medicamentos. Ele se sentiu mal na noite de sábado,
se queixou de muito frio à esposa e disse que ia descansar no sofá da sala, que
ele usava para fazer suas composições, segundo vizinhos.
Segundo
amigos, o artista vivia há quatro anos em Santa Cruz do Sul - dos quais cerca
de dois anos na casa onde morreu, cedida por um amigo. Belchior continuava
compondo, embora
não tivesse planos de fazer shows ou gravar discos, e traduzia suas canções e obra
de Dante Alighieri. O Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza
decretaram luto oficial de três dias pela morte de Belchior.
Análise
preliminar indica que o cantor cearense morreu em razão do rompimento da
artéria aorta, segundo a delegada Raquel Schneider. Schneider falou com o
médico do IML da cidade de Cachoeira do Sul, responsável pela necropsia em Belchior.
De lá, seu corpo foi levado para Venâncio Aires para ser embalsamado.
Vida e
obra
Antônio
Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes - "um dos maiores nomes da
música popular", como brincava ao se apresentar - nasceu em 26 de outubro
de 1946 e foi um dos ícones mais enigmáticos da música popular no Brasil, com
quase 40 anos de carreira.
Na
infância no Ceará, Belchior estudou piano e música coral, e trabalhou no rádio
em sua cidade natal. Seu pai tocava flauta e saxofone, e sua mãe cantava em
coro de igreja. Mudou-se em 1962 para Fortaleza, onde estudou Filosofia e
Humanidades. Também chegou a estudar medicina, mas abandonou o curso em 1971
para se dedicar à música.
Começou
apresentando-se em festivais pelo Nordeste. Depois do sucesso de
"Mucuripe", mudou-se para São Paulo, onde compôs trilhas sonoras para
filmes e passou a fazer shows maiores e aparições em programas de televisão. Em
1974, lançou seu primeiro disco, "A palo seco", cuja música título se
tornou sucesso nacional e ganhou versões ao longo da história, como a de
Oswaldo Montenegro e da banda Los Hermanos.
Começou
apresentando-se em festivais pelo Nordeste. Depois do sucesso de
"Mucuripe", mudou-se para São Paulo, onde compôs trilhas sonoras para
filmes e passou a fazer shows maiores e aparições em programas de televisão. Em
1974, lançou seu primeiro disco, "A palo seco", cuja música título se
tornou sucesso nacional e ganhou versões ao longo da história, como a de
Oswaldo Montenegro e da banda Los Hermanos.
Teve o
primeiro sucesso nos anos 70 ao lado de Fagner, com a faixa
"Mucuripe". Com o disco "Alucinação" (1976), lançou
clássicos como as faixas "Apenas um rapaz latino-americano",
"Velha roupa colorida" e "Como nossos pais", essa última que
se tornou conhecida na voz da cantora Elis Regina.
Outros
artistas também regravaram sucessos de Belchior, entre eles Roberto Carlos
("Mucuripe") e Erasmo Carlos ("Paralelas"), Engenheiros do
Hawaii ("Alucinação"), Wanderléa ("Paralelas") e Jair
Rodrigues ("Galos, noites e quintais"). Elis Regina foi uma de suas
maiores intérpretes. Além de "Como nossos pais", gravou
"Mucuripe", "Apenas um rapaz latino-americano" e
"Velha roupa colorida".
Em 1982, o
cantor lançou "Paraíso", que tem participações dos àquela época ainda
jovens artistas Guilherme Arantes, Ednardo Nunes, Jorge Mautner e Arnaldo
Antunes. Fundou sua própria gravadora e produtora, a Paraíso Discos, em 1983.
Ao longo da carreira, Belchior teve mais de 20 discos lançados.
Paradeiro
Em 2007, a
família reclamou do sumiço do artista, que abandonou a carreira, e nem mesmo
seu produtor musical conseguia contato. A partir daí, foram surgindo boatos a
respeito do paradeiro do cantor.
Segundo
reportagem do Fantástico, Belchior abandonou ao menos dois carros, sem
explicação. Um deles, deixado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo,
acumulando milhares de reais em dívidas de estacionamento. Outro veículo, uma
Mercedes-Benz do cantor, foi largado em um estacionamento também em São Paulo,
onde ele morava antes de ir para o Uruguai.
Belchior
chegou a ser procurado pela polícia em 2012, devido a uma dívida de US$ 15 mil
em um hotel na cidade de Artigas, no Uruguai, por seis meses de diárias. No fim
daquele ano, em meio à polêmica, foi visto em Porto Alegre, mas não quis gravar
entrevista.
Foto: Dalwton Moura/Secult
Do G1
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