Em um de
seus depoimentos do acordo de delação premiada com o Ministério Público, a
marqueteira relatou conversas que o sócio e marido dela, o publicitário João Santana,
mantinha com Dilma nos meses que antecederam a disputa eleitoral daquele ano.
"Em
2014, houve um certo estremecimento entre o Lula e a Dilma, acho que isso é do
conhecimento de todos. Os jornais especulavam bastante na época. Eles negavam,
mas é verdade. Porque o Lula queria ser o candidato. Aí a Dilma não aceitou.
Ela queria a reeleição dela", disse Mônica aos procuradores da República.
"Ela
se sentia forte. 'Por que que eu não vou?'. Isso era a conversa dela [Dilma]
com o João. Eu nunca tive esse tipo de conversa com a Dilma, depois é que João
me contava", complementou.
Ela queria
a reeleição dela
A delatora
também contou que, apesar do mal-estar com a afilhada política, Lula continuou
dando suporte à então presidente da República, inclusive, gravando mensagens de
apoio na produtora do casal de marqueteiros. Mônica Moura destacou ao
Ministério Público que, desta vez, em razão do estremecimento com Dilma, Lula
não se envolveu com o financiamento da campanha.
"O
Lula queria ser o candidato em 2014. Voltar, né. Tipo assim, 2010 ele sai, bota
a apadrinhada dele lá, mas, em 2014, ele volta para ser o candidato. E aí houve
um certo estremecimento. Ele ia lá na produtora da gente, de vez em quando
grava apoio pra ela, né, porque também não ia colocar em risco a eleição dela.
Mas ele não se envolveu com dinheiro dessa vez, não", contou a
marqueteira.
Segundo
ela, na eleição de 2014, a própria Dilma tomou a rédeas do financiamento,
auxiliada pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do tesoureiro da
campanha, o ex-ministro e atual prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva
(PT-SP).
A
publicitária disse à PGR que Edinho ficou responsável pela arrecadação oficial
da campanha, e Mantega, pela extraoficial. Já o então tesoureiro do PT, João
Vaccari Neto, observou a delatora, ficou escanteado por Dilma.
"Foi
totalmente com a Dilma, tudo com a Dilma. Falei com ela todas as vezes. [...]
Não tive nenhum contato nem com Vaccari nem com Lula sobre dinheiro",
enfatizou a delatora.
Por G1 e
TV Globo, Brasília
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