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| Sergio Moraes/Reuters |
O
Ministério Público Federal acusa empreiteiras investigadas na Operação Lava
Jato de terem montado uma verdadeira "força-tarefa de lavagem de
dinheiro" para repassar recursos ao ex-presidente Lula. Segundo os
investigadores, o "consórcio de empresas com fins escusos" atuou na
reforma de um sítio em Atibaia, cuja propriedade ele nega, e na compra de quase
560.000 reais em armários de luxo para o sítio e para o tríplex que, de acordo
com as investigações, a empreiteira OAS reformava para Lula.
A 24ª fase da
Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira, apura as relações entre o
ex-presidente e as principais empreiteiras do país - todas investigadas por
sangrarem os cofres da Petrobras. Lula foi levado para prestar depoimento aos
policiais.
Na avaliação dos
investigadores, além de grandes empresas terem formado um cartel para corromper
funcionários da Petrobras e políticos, como vem escancarando a Operação Lava
Jato desde 2014, "também é possível falar em um consórcio de empresas com
fins escusos, em uma força-tarefa a serviço da lavagem de dinheiro sujo em
favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
Na aquisição, reforma
e decoração do sítio de Atibaia, por exemplo, os procuradores da Lava Jato
descrevem "operações sucessivas de lavagem de dinheiro" em benefício
de Lula executadas, nesses casos, pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e pela
Usina São Francisco, do empresário e amigo José Carlos Bumlai. Conforme revelou
VEJA, o sítio de Atibaia foi reformado ao gosto de Lula, decorado seguindo
orientações da ex-primeira-dama Marisa Letícia e frequentado pela família desde
que deixou o Planalto. Em 2014, os Lula da Silva passaram metade de todos os
fins de semana do ano no sítio de Atibaia.
Para disfarçar a real
propriedade do sítio, diz o MP, "houve o emprego de diversos estratagemas
para a dissimulação e ocultação", como pagamentos efetuados pelas empresas
de Bumlai - São Fernando Açúcar e Álcool Ltda e São Fernando Energia I Ltda - à
empresa Fernandes dos Anjos Porto, que executava o início da reforma, repasses
em dinheiro vivo aos comerciantes que forneciam os materiais de construção para
a reforma do sítio, e o deslocamento de trabalhadores da Odebrecht para
trabalhar em Atibaia "sem deixar vestígios".
"Oportuno que
todas essas operações de lavagem de capitais sejam explicitadas desde o momento
em que a propriedade foi adquirida em favor de Luiz Inácio Lula da Silva e de
sua família", relataram os procuradores. Reportagem de VEJA mostra que
quando o petista deixou o governo, em 2011, seus pertences e de seus familiares
foram levados para o sítio Santa Bárbara, como mostram documentos e um
testemunho obtidos por VEJA.
Os investigadores
citam como mais uma "operação de lavagem de dinheiro em favor de
Lula" a compra de móveis na empresa Kitchens para o sítio em Atibaia.
Nesse caso, a construtora OAS utilizou o nome do empresário Fernando Bittar
como destinatário dos armários. Foi em nome de Bittar que foi emitida a nota
fiscal dos móveis. A força-tarefa ainda faz referência a transportadoras pagas pelo
governo para fazer a mudança dos bens de Lula para o sítio em Atibaia.
VEJA havia revelado
que a entrega da mudança ocorreu em 8 de janeiro de 2011 - dois meses após o
sítio ter sido comprado em nome dos sócios de Fábio Luiz, o Lulinha. Quem
recebeu o carregamento, e assinou os papéis, foi Rogério Aurélio, ex-assessor
especial de Lula no Planalto. Acompanha os registros da mudança um inventário
da carga.
Foram mais de 200
caixas - 37 delas de bebidas, conforme registraram, cuidadosamente, os
funcionários incumbidos do serviço. O carregamento incluía ainda, além da
carroça, plantas da ex-primeira-dama Marisa Letícia, aparelhos de ginástica e
quadros. "A documentação fornecida pela empresa de mudança 5 Estrelas
revela que parte da mudança do ex-presidente da República Lula, após o fim do
mandato, teve como destino o referido sítio de Atibaia. O ex-servidor da
Presidência da República Rogério Aurélio Pimentel foi o responsável pelo
recebimento dos bens no sítio em 08 de janeiro de 2011", relata o Ministério
Público.
Por fim, os
investigadores citam que "há evidências de que Lula recebeu vantagens
indevidas da OAS no valor de R$ 1.292.210,40 mediante pagamento de contrato de
armazenagem de bens pessoais do ex-presidente durante quatro anos, com adoção
de práticas lavagem de dinheiro, com ocultação e dissimulação de origem,
natureza e propriedade de bens e recursos".
Por: Laryssa Borges, de Brasília

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